Duelo de Titãs (Saudades dos Amigos)
Ontem assisti "Duelo de Titãs", é um filme com a batida história que fala de um treinador rigoroso vencendo o racismo para fazer um time de futebol americano ser campeão da liga estadual escolar. O filme tinha tudo para me fazer dormir, SE não fosse a saudade.
Na época da faculdade, treinei pela liga atlética no time de futebol de salão da escola. Isso me fez associar vários momentos do filme com a minha vida. Em um momento, no filme, os atletas treinam até "vomitar". Lembro de um dia que todo mundo foi numa balada do diretório acadêmico da faculdade, numa sexta a noite. No sábado 7h da manhã o treino começou, alguém contou da "balada" para o técnico e ele nos fez correr até o primeiro vomitar (meu amigo Antônio, o que mais encheu a lata na festa).
Em outro momento do filme, acordavam 3h da manhã para correr no bosque. 3h da manhã eu nunca acordei, agora 5h da manhã...
O que mais me chamou atenção era a união do time mesmo fora da quadra, também era exatamente assim conosco. Um defendia o outro, era o espírito do "time". Mesmo estudando algumas vezes em salas diferentes, foram amigos sempre próximos.
Os gritos do técnico, os gritos do capitão... Assim como no filme, o capitão do time tem o poder de brigar e xingar todo mundo, "trazer o time para o jogo" quando o técnico não pode estar tão perto. No meu time tinha um negão de 2 metros, "Júnior", ele era meu capitão, eu sempre fui muito calmo e educado... Meu primeiro ano e certo jogo no campeonato iam bater uma falta, eu estava no gol e o Júnior estava na minha frente, eu disse: "Júnior, pode dar licença e ir para a esquerda um pouquinho". Bem, o grito que ele deu comigo me fez até o terceiro ano empurrar os jogadores e nunca mais pedir licença (pelo menos na quadra).
No filme também rolou muita música no vestiário... Lembro quanto era ridículo (e engraçado) ver o pessoal dançando passos de axé, de toalha, no vestiário depois de uma vitória. De todos os estreantes que jogávamos no chuveiro de uniforme e tudo, depois do primeiro jogo. Lembro também das derrotas e quando o técnico fechava a porta e deixava o pau quebrar no vestiário. "Se entendam, vocês são um time".
Cada vez que alguém chegava atrasado, "pagava" 20 abdominais, cada vez que alguém dava bobeira na marcação, 20 abdominais. E de vinte em vinte o time ia se encontrando. Após alguns meses o treinador já não precisava nem pedir, o próprio atleta já deitava e começava os abdominais. Lembro de uma época que quem chegava atrasado tinha que doar sangue "voluntáriamente", hehehe.
O goleiro titular me ajudava a corrigir meu péssimo salto para a direita, outra hora eu o ajudava a fazer os exercícios de fisioterapia, após ele ter operado o ombro. O treinador brigava com a atlética para não perdermos as bolsas de estudo, os atletas brigavam com a atlética para o treinador não perder o cargo. Um tomava um chute, ia todo mundo para cima. Erámos assim, um time.
Hoje nas brincadeiras de futebol na vila, sinto falta do técnico gritando "Dooiiiiss" e o time se movendo como balé. Sinto falta do capitão gritando e empurrando o time, sinto falta da defesa forte. MAs ainda tenho as medalhas em casa para me lembrar dos amigos. Agora eu leciono na mesma faculdade que um dia fui aluno e treinei, toda vez que passo perto da quadra e escuto o apito forte do juiz dou uma passada lá para ver como anda o time, o técnico é outro, os atletas outros mas mesmo assim ainda é meu time. Mesmo assim, lá da torcida, eu dou os gritos que aprendi com o Júnior.
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