7.12.01

O mundo e a sorte de um amor tranqüilo

Quando adolescente, me sentia preocupado com o futuro (como se isso não acontecesse agora!), me preocupava com todos os tipos de objetivos para a minha vida e todas estas coisas. Então, ouvindo uma velha canção do Cazuza percebi o que eu queria... o trecho da canção era "Eu quero a sorte de um amor tranqüilo / com sabor de fruta mordida / Nós na batida, no embalo da rede / Matando a sede na saliva / Ser teu pão, ser tua comida / Todo amor que houver nessa vida / E algum trocado pra dar garantia". Enfim, isso é definitivamente tudo que eu preciso na vida.

Percebo agora que no fundo no fundo isso é tudo o que todos querem, isso é tudo o que o mundo precisa. "A sorte de um amor tranqüilo e algum trocado para dar garantia" resolveria todos os problemas do mundo, acabariam as guerras e teríamos a tão sonhada paz.

Para ilustrar minha teoria: Lembram-se da facção "Setembro Negro"? Um grupo extremista da OLP (Organização pela Libertação da Palestina) que na década de 70 tinha o objetivo de fazer o mundo reconhecer o sofrimento do povo palestino (claro que para isso eles faziam o mundo inteiro sofrer, do assassinato de primeiro-ministro jordaniano até seqüestro de atletas de Israel na olimpíada de Munique). Um ano após o lamentável fato ocorrido nos jogos da Alemanha, Yasser Arafat, o grande líder palestino, decidiu que não havia mais sentido a existência do grupo "Setembro Negro" afinal, o mundo já havia voltado os olhos para a palestina e outros atentados não fariam bem à imagem da organização. MAS, quem disse que os integrantes do grupo queriam desistir? Conseguiram fama e status de herói entre seu povo, é claro que eles queriam muito mais, queriam que o mundo se curvasse diante do terror.

Para o leitor desavisado que pensa que eu já perdi a linha de raciocínio, calma... eu chego lá.

Yasser Arafat, para solucionar o problema "Setembro Negro", pediu que seus representantes recrutassem em acampamentos palestinos as mais belas jovens e as convidassem para uma grande festa em Beiruth, simplesmente isto. Do outro lado, garantiu aos soldados do "Setembro Negro" muito dinheiro ganho em um emprego pacífico se em um ano eles constituíssem família e filhos com tais garotas. Oito meses depois, 80% das mulheres da festa estavam grávidas e casadas com os ex-combatentes. E afinal, qual soldado queria correr o risco de deixar seus filhos órfãos e suas esposas viúvas? Este foi o fim do "Setembro Negro".

Hoje, Israel ainda nega a criação do Estado Palestino (assim como os palestinos não aceitam o Estado de Israel), mas uma coisa é certa: Todos eles buscam a sorte de um amor tranqüilo e um trocado (americano) para dar garantia.

Enquanto isso, aqui no Brasil, longe das guerras, eu quero mais é curtir o embalo da rede e pensar no amor tranqüilo, toda a sorte que houver nesta vida.